Os Desafios da Recolocação
- 17 de fev. de 2017
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Durante a nossa vida profissional enfrentamos diversos desafios, alguns já previstos, mas a grande maioria inesperados, por mais que nos esforcemos para aumentar a previsibilidade deles. Até mesmo uma carreira bem programada se depara com essa situação. O maior dos desafios advém de quando nos questionamos quanto à validade das nossas escolhas. Mesmo uma carreira supostamente sólida pode chegar a este impasse. Na verdade, ele é quase inevitável.
Quando o fazemos - questionamos nossas próprias escolhas profissionais - precisamos estar preparados para agir com a mesma potência e energia.
Uma pessoa que opte por redirecionar a sua carreira vai nadar no sentido contrário à força da correnteza que se esperava que nadasse. Além das ondas criadas pela força daqueles que seguem adiante pela sua convicção das suas escolhas, existem as ondas do julgamento e da crítica daqueles que se incomodam ao ver alguém tentando ir para o lado oposto. O mercado profissional é - via de regra - extremamente julgador.
Essa é uma característica inegável da sociedade: o sentimento contraditório de tremenda admiração e, ao mesmo tempo, repúdio pelo "diferente".
A verdade é que sempre acreditamos ter força suficiente para enfrentar todas as situações que nos são apresentadas quando somos corajosos, impetuosos... empreendedores. No geral, a crença da resistência ao julgamento é a maior das nossas convicções.
Julgamentos têm uma origem básica: acreditar que os estereótipos são uma verdade inquestionável. Os estereótipos, tão comuns nas relações sociais, têm a mesma força no âmbito profissional: "Homens são fortes e determinados. Mulheres são organizadas e constantes. Jovens gostam de desafios. Homossexuais são criativos."
Estereótipos!
"Mulheres casadas que têm filhos não têm a capacidade de enfrentar os desafios profissionais da reconstrução de uma carreira porque estão presas a um status quo."
Ou, "mulheres solteiras e sem filhos têm maior pujança no trabalho".
Estereótipos!
O que nos motiva não é a nossa condição momentânea, mas algo muito mais profundo. A nossa condição só existe para reforçar e dar sentido às nossas escolhas.
Sou uma mulher de 47 anos, mãe, esposa e filha, ou seja, uma mulher com pacote completo. Decidi mudar: minhas perspectivas, minhas expectativas, mas principalmente o meu comportamento quanto à minha vida em geral, não mais pensando nela como uma composição de partes, mas como um todo complexo, o que envolve abraçar e aceitar minhas facetas e as pessoas que dela fazem parte.
Aceitei o risco do julgamento!
Rejeito toda e qualquer tentativa de me fazer acreditar que não sou capaz de dar um novo rumo à minha vida.
E assim levarei adiante o projeto de mudança, mesmo que ele me faça nadar no sentido contrário às ondas.
Só peço a Deus que fortaleça os meus braços e dê fôlego aos meus pulmões.


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