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Os caminhos do futuro profissional

  • 26 de jan. de 2017
  • 3 min de leitura

Tenho 47 anos e sou administradora há 26.

Minha formação - confesso - não foi exatamente uma escolha. Eu era daquelas que queria fazer de tudo: Arquitetura, Comunicação, Antropologia, Economia... enfim, queria me encontrar. Por sugestão do meu pai, optei pela Administração. E me identifiquei logo de cara porque é um curso que une uma série de conhecimentos. Ainda mais porque fui privilegiada em cursar em uma universidade, a UnB, tendo contato com a fonte de todos os cursos. Fiz Português com o curso de Comunicação, fiz as disciplinas de introdução com turmas dos cursos originais (introdução à Psicologia com a turna de Psicologia, por exemplo), até que fiz a burrada de fazer Cálculo com turma de Engenharia e bombar... rsss. Mas fez parte da experiência e para conhecer os meus limites.

Quando estava me formando - lá pra 1992 - comecei a concorrer a vagas de estágio em empresas. Porém, enfrentava a dificuldade de viver em um período econômico pós Collor e em uma cidade onde não havia muitas empresas privadas.

Fiquei me torturando por décadas pelo fato de não ter sido escolhida em algumas das grandes empresas do país e acabei fazendo estágio em um Tribunal. E adorei a experiência. Não por ser um tribunal, mas porque lá eu pude aprender a usar o que havia de mais novo em tecnologia. Tinha até mouse nos computadores!!!! Pode parecer ridículo hoje, mas eram muito poucas as empresas que tinham computadores para usuários nessa época. Quem usava computador era meio que craque. Além disso, aprendi a criar e organizar processos. Minha capacidade analítica ficou apurada.

Depois de formada, sem experiência ou QI no mundo empresarial, fui trabalhar em lojas, até que me tornei gerente. Tive a sorte de trabalhar como Assistente de Marketing em um banco. E trabalhei muito em empresas familiares de pequeno e médio porte.

Mas aquela sensação de incompetência por não ser contratada por aquela empresa lá no começo da minha carreira continuava comigo.

Agora, algumas dessas empresas surgem nos noticiários como empresas ligadas à falta de Ética! E um estalo veio à minha cabeça: a razão pela qual eu não fui aceita nas seleções foi o perfil comportamental. Eu passava nos testes e não passava na avaliação de perfil. Uma das justificativas foi "falta de agressividade".

E lembrei de algumas dinâmicas que na hora de realizar as atividades eu ajudava os meus colegas a completar as suas tarefas. Em algumas delas eu cheguei a escutar da Psicóloga responsável que eu não podia ajudar o concorrente... rssss.

Fico lembrando das empresas nas quais trabalhei: a maioria delas empresas que cresciam graças ao trabalho dos seus fundadores e, posteriormente, de pessoas que acreditavam naquele negócio. Empresas que suavam para conseguir um espaço no seu segmento.

Na maioria das vezes que troquei de empresa era para poder me desafiar, aprender coisas novas. Enfim, crescer!

Mas houve casos em que não consegui me ajustar à empresa. Em alguns casos pelo perfil do negócio mesmo, mas em outros pelo perfil dos gestores.

E como sou contestadora... dancei!

Lembro de uma situação em que questionei um chefe que estava sendo extremamente anti-ético com a equipe e que geria por conflito. Ou seja, vivia para colocar um colega contra o outro para poder fazer com que ninguém questionasse as suas decisões. Nesse dia - o dia em que questionei o meu chefe na frente dos meus colegas - recebi um chute na canela de uma colega e escutei no meu ouvido: "Fica quieta! Ou você não quer ficar desempregada?!".

Em outra ocasião, não me ajustar porque para fazê-lo teria que aprender a ser cega, a não ver as coisas sendo feitas erradas. E olha que nesse caso o salário era ótimo...

Sou uma pessoa de convicção! E isso, segundo os padrões sociais atuais, sai muito caro para mim porque deixo de cresce nos níveis que se esperaria para uma pessoa da minha competência.

Porém, o preço de não seguir a minha consciência, a minha convicção, seria ainda mais caro!

Já pensou se hoje eu estivesse naquela primeira empresa que está sendo questionada pela falta de ético no comportamento dos seus gestores?

Não me arrependo de muita coisa na minha vida. Mas de tudo o que me arrependo envolve eu ter me comportado de acordo com o que as pessoas exigiam de mim e não de acordo com o que eu acredito.

Por isso, aos 47 anos não sou definida pela sociedade como uma pessoa de sucesso.

Mas sinto que estou seguindo o caminho que vai me levar onde devo chegar!

Kátia Marcolino


 
 
 

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